O violão brasileiro em 78rpm

O violão brasileiro em 78 RPM tem como principal objetivo documentar o repertório do violão solista, a partir dos registros fonográficos feitos entre 1902 e 1964.

A pesquisa partiu da elaboração da discografia do instrumento onde constam os violonistas que registraram seus trabalhos, as obras executadas, as datas de gravação, o número do fonograma e a gravadora para a qual realizaram o registro.

Esta discografia pode ser consultada no livro Violão e identidade Nacional, publicado em 2011 pela editora Civilização Brasileira.

O levantamento de fonogramas teve início há alguns anos no Rio de Janeiro onde foi investigado o acervo do Centro Petrobrás de referência da música brasileira, que abriga o arquivo dos pesquisadores Humberto Franceschi e José Ramos Tinhorão. Em São Paulo foi consultado o arquivo de Ronoel Simões, dos maiores colecionadores brasileiros dedicados à documentação do violão, e no Ceará, foi estabelecido contato com o pesquisador M. A. de Azevedo (Nirez).

No momento, estas coleções, acrescidas de fonogramas não disponibilizados anteriormente, encontram-se no site discografiabrasileira do Instituto Moreira Salles.

Para a eleição das obras a serem transcritas, optamos pela produção de artistas com grande atuação nos meios de gravação e no rádio, que ainda não haviam sido privilegiados com edições impressas de seus trabalhos. Por esse motivo não se encontram aqui transcritas obras de autores tão importantes para a cultura brasileira como João Pernambuco, Américo Jacomino, Dilermando Reis, Garoto, apenas para nomear alguns. Ainda que incompletas e esporádicas, já existem edições da obra desses autores.

A primeira gravação de violão solo no Brasil relacionada na Discografia foi a obra Petita, fonograma do cantor Mário Pinheiro, o que não deixa de ser uma grande surpresa. São do mesmo período os registros da polca Aventureira, de Josué de Barros, gravada em 1910 e lançada em 1912 (Discografia Brasileira), e do tango Riograndense gravado para a Columbia em 1910 por A. Palmieri.

Em seguida vieram registros de Américo Jacomino, o Canhoto Levino Conceição, Rogério Guimarães, Mozart Bicalho, Benedito Chaves, Henrique Brito, Pereira Filho, Glauco Viana, Josué de Barros, Pereira Filho, Aimoré, Armando Neves, Laurindo de Almeida, Dilermando Reis, Garoto, etc.

A obra desses autores constitui o repertório do violão popular brasileiro. Não obstante, a documentação e divulgação desse material é recente e incompleta. Ao longo dos anos, parte desse repertório sobrevive graças à transmissão oral, ou quando muito, através de partituras manuscritas - pouco criteriosas, que acabaram por constituir a base de informação do repertório do violão.

Nossa meta é trazer à luz parte dessa produção, desconhecida até mesmo de especialistas, divulgar os compositores e seus diferentes estilos de escrita e, sobretudo, promover a circulação e incorporação dessas obras aos programas de concerto.

Esta a principal contribuição deste projeto.


Marcia Taborda
pesquisa, textos, transcrição e notação

Luciana Requião
Diagramação

7 Compositores
25 Partituras
Arrepiado 1928
Glauco Viana
Este Chorinho é Teu 1933
Glauco Viana
Ingênua 1928
Glauco Viana
Alice 1930
Henrique Brito
Crepúsculo 1910
Henrique Brito
Lourdes 1930
Henrique Brito
Não Sei 1930
Henrique Brito
Soluçante 1930
Henrique Brito
Yankite 1930
Henrique Brito
Sonho Havanês
Henrique Brito
Aventureira 1910
Josué de Barros
Gemidos d'alma 1931
Josué de Barros
Alma de Artista 1929
Mozat Bicalho
Choro Sete 1940
Mozart Bicalho
Petita 1910
Mário Pinheiro
Gotas de Lágrima 1930
Mozart Bicalho
Aguenta o Galho 1940
Rogério Guimarães
Ao Luar 1928
Rogério Guimarães
Araca 1928
Rogério Guimarães
Edinho no Choro 1945
Pereira Filho
Noite de Prazer 1929
Rogério Guimarães
Norma 1928
Rogério Guimarães
Silvia 1928
Rogério Guimarães
Sinhá Chica no Baile 1940
Rogério Guimarães
Trem de Luxo 1929
Rogério Guimarães