Nascido em Campos (RJ), Mário Pinheiro foi uma das grandes vozes dos primeiros anos da fonografia brasileira. Gravou modinhas, lundus e cançonetas para a Casa Edison, tendo em alguns dos fonogramas acompanhado-se ao violão. Foi contratado pela Victor norte americana, onde em Camdem gravou centenas de canções; com o valor adquirido neste trabalho, viajou para Europa estreando na cena lírica de Lyon. Tinha voz de baixo/barítono e participou do espetáculo de inauguração do Teatro Municipal em 1909, apresentando-se ainda em diferentes montagens líricas. Deve-se destacar a atuação de Mário como artista dedicado ao repertório de concerto, tendo cantado inúmeras óperas como Aída, Rigoletto, O Guarani, Lohengrin, enquanto paralelamente manteve intensa atividade fonográfica, sendo dos cantores que mais gravou no período de atuação, interpretando um grande número de cançonetas de caráter lírico, sem deixar no entanto de flertar com o repertório satírico representado por peças como “A boceta da vovó” e “Bolim bolacho”.
